Homicídio de casal em M. Claros: "...a polícia concluiu que o crime foi motivado por uma quantia de R$ 60 que uma das vítimas teria encontrado em uma carteira perdida por um dos suspeitos e utilizado o dinheiro"
Sexta 23/10/26 - 11h3711h16m, sexta-feira, do jornal O Tempo, de BH:
Polícia conclui investigação e aponta que casal foi espancado e carbonizado por causa de R$ 60 em Montes Claros; “Brutalidade extrema”, diz delegada
A polícia concluiu que o crime foi motivado por uma quantia de R$ 60 que uma das vítimas teria encontrado em uma carteira perdida por um dos suspeitos e utilizado o dinheiro.
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o duplo homicídio de um casal, de 23 e 34 anos, encontrado morto em uma região de mata em um bairro residencial de Montes Claros, no dia 6 de outubro de 2025. As vítimas foram brutalmente espancadas com um pedaço de madeira e tiveram os corpos carbonizados.
De acordo com a Delegada da Polícia Civil, Francielle Drumond, inicialmente, uma das linhas de investigação apontava que o duplo homicídio poderia estar relacionado ao tráfico de drogas, mas o avançar das investigações, a polícia concluiu que o crime foi motivado por uma quantia de R$ 60 que uma das vítimas teria encontrado em uma carteira perdida por um dos suspeitos e utilizado o dinheiro.
“A motivação do crime teria sido que, a vítima do sexo masculino, teria encontrado uma carteira com um valor de R$ 60. Essa carteira pertencia a um dos autores maiores, e ele teria feito a utilização desse dinheiro.
Então, quando o autor foi cobrar esse valor, a vítima falou que já havia feito o uso, então em razão disso, eles foram espancados com uma brutalidade extrema e mortos logo em seguida”, disse a delegada.
Segundo a Polícia Civil, os laudos periciais indicaram que as vítimas sofreram traumatismo cranioencefálico. A utilização de substâncias inflamáveis para carbonizar os corpos também foi identificada durante a apuração.
Conforme a delegada, cinco pessoas participaram da ação criminosa, sendo três adultos, de 21, 23 e 33 anos e dois adolescentes, de 16 e 17 anos.
“A Polícia Civil individualizou a conduta de todos os autores. O dono da carteira foi o principal executor, ele que teria espancado. Um outro maior teria induzido e instigado a utilização do fogo, a carbonizar as vítimas, e o outro maior também auxiliado na execução. Em relação aos menores foi apurado, que eles foram responsáveis para assegurar ali a execução do crime, eles foram responsáveis por fazer a vigilância do local”, destacou a delegada.
Polícia aponta morte de mulher como “queima de arquivo” Ainda conforme a Polícia Civil, a outra vítima, uma mulher, de 23 anos, não teve participação no episódio envolvendo o dinheiro. Inicialmente, uma das linhas de investigação apontava que o duplo homicídio poderia estar relacionado ao tráfico de drogas.
A suspeita era de que a mulher teria guardado entorpecentes para um traficante da região e que ela e o companheiro teriam consumido a droga. No entanto, ao longo das diligências, essa hipótese não se confirmou.
“A Polícia Civil deflagrou, no dia 18 de dezembro, uma operação denominada Operação Nero, no qual foram cumpridas diversos mandados de busca e apreensão.
Foram arrecadados telefones, dinheiro e arma de fogo. [...] Foi apurado pela Polícia Civil após análise dos aparelhos telefônicos que a mulher não teve nenhum tipo de participação no desaparecimento dessa carteira e que a morte dela se deu exclusivamente para assegurar a impunidade do grupo criminoso, ou seja, ela era testemunha dos fatos, então a morte dela foi uma queima de arquivo”, contou a delegada.
Três adultos estão presos.
Após concluir o inquérito, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos três suspeitos adultos. Inicialmente, os pedidos foram negados pela Justiça de primeira instância, mas o Ministério Público recorreu, e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais autorizou as prisões.
Segundo a Polícia Civil, os três adultos foram presos em datas diferentes: 30 de julho, 4 de agosto e, mais recentemente, nessa terça-feira (20), em uma fazenda em Joaquim Felício, na região central de Minas.
De acordo com a Polícia Militar, que realizou a prisão, ele utilizava um documento falso.
Os adolescentes também foram identificados, e o procedimento referente à participação deles foi encaminhado à Vara da Infância e da Juventude, com pedido de internação. Um deles estaria em São Paulo após sofrer ameaças, segundo as informações apresentadas pela delegada durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (23).
Suspeitos foram indiciados Os três adultos foram indiciados por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, pela utilização de meio cruel [emprego de fogo] e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de corrupção de menores.
O procedimento foi encaminhado à Justiça especializada


