Polícia Civil identifica 2 homens, um deles menor, como responsáveis pela morte de professora em M. Claros, atingida pela cortante e mortal linha chilena; e não foi a primeira vez
Quinta 30/07/26 - 14h51A Polícia Civil indiciou dois homens, de 17 e 18 anos, pela morte da professora Cláudia Morais da Silva, de 57 anos, em Montes Claros.
Ela foi atingida no pescoço por linha chilena no dia 30 de junho, quando voltava do trabalho para casa no Residencial Minas Gerais.
Segundo a delegada Francielle Drummond, os rapazes participavam de uma disputa de pipas, a tradicional "laçada", nas proximidades de campo de futebol, em área de grande fluxo de veículos e pedestres.
Em determinado momento, disseram que perderam o controle da "arara" e, ao puxar a linha, notaram que ela estava mais pesada — provavelmente quando atingiu a professora.
A linha chilena tem material cortante e é de uso proibido.
Foi encontrada em lote vago próximo ao local.
Os dois confessaram que encontraram a linha na rua e a emendaram na linha que estavam usando.
O maior de idade foi indiciado por homicídio com dolo eventual, quando assume o risco de matar, e pode pegar de seis a 20 anos de prisão.
O adolescente responderá por ato infracional análogo ao homicídio, com pena de até três anos de internação.
A linha chilena, usada na disputa de pipas - fato que matou a professora em Montes Claros - é diferente do cerol tradicional.
Enquanto o cerol é feito com cola e pó de vidro aplicados manualmente na linha, a linha chilena é industrializada e já sai da fábrica com fios de metal entrelaçados, como cobre ou aço, o que a torna ainda mais cortante.
O material funciona como uma lâmina ao entrar em contato com a pele.
Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 23.515, de 2019, proíbe a comercialização e o uso de linhas cortantes em pipas e similares.
Em Montes Claros, a Lei Municipal nº 5.289, de 2020, também proíbe empinar pipas em áreas urbanas, com exceção de regiões de fazenda, sítios ou clubes, desde que respeitada a distância da rede elétrica.
Ambos os produtos são proibidos e seu uso já configura crime de perigo para a vida ou saúde de outra pessoa.
No entanto, o uso das duas linhas é normalmente visto em toda parte, como neste último caso - e não o primeiro - de morte de mulher atingida por linha chilena


